Como especificar DPS
conforme a ABNT NBR 5419-2: 2015?
mar, 2017
Por Hélio
Sueta*
Um ponto que costuma gerar
dúvidas aos usuários da ABNT NBR 5419:2015 é como especificar os Dispositivos
de Proteção contra Surtos (DPS) conforme definição na análise de risco. Muitos
usuários ainda confundem os resultados da análise de risco, por exemplo, como
medida de proteção necessária o “uso de um conjunto de DPS coordenado projetado
conforme Nível de Proteção (NP) I, II ou III-IV” com “utilizar DPS classe de
ensaio 1, 2 ou 3”.
Se, ao realizar uma análise de
risco conforme a parte 2 da norma, esta indicar a necessidade de instalar um
conjunto de DPS coordenado projetado conforme NP I, por exemplo, para que os
riscos fiquem dentro de um valor tolerável, isto significa que este conjunto de
DPS deve ser especificado utilizando principalmente as regras descritas no
Anexo E da parte 1 da norma (surtos devido às descargas atmosféricas em
diferentes pontos da instalação).
Neste Anexo, encontramos as
regras para determinação dos surtos devido às descargas atmosféricas em
determinados pontos da instalação e também em função de diversas fontes de
danos: S1 – aquele cujas descargas atingiram a estrutura e os surtos fluíram
por meio das partes condutoras externas e linhas conectadas à estrutura; S1*-
cujas correntes que atingiram a estrutura induzem surtos nas instalações e
equipamentos dentro da mesma; S2 – referentes às descargas atmosféricas que
atingem pontos perto da estrutura e induzem surtos na mesma; S3 – referente às
descargas que atingem as linhas que adentram a estrutura; e S4 – descargas que
atingem pontos pertos da linha.
A determinação do S1 depende do
NP para o estabelecimento da corrente da descarga atmosférica que é esperada
para a estrutura sob estudo, ou seja, 200 kA para NP I; 150 kA para NP II e 100
kA para NP III-IV. Estas correntes ao atingir a estrutura, uma parte flui para
o subsistema de aterramento e pelas partes condutoras externas, mas uma parte
flui pelos condutores das linhas conectadas à estrutura. Estas correntes que
fluem pelos condutores são as mais importantes para a especificação dos DPS.
Os valores destas correntes vão
depender se a instalação é enterrada ou aérea (fórmulas E.2 e E.3 da parte 1 da
norma), da quantidade de condutores e das impedâncias convencionais de
aterramento (Z e Z1), que são obtidas na Tabela E.1 da parte 1 da norma em
função da resistividade do solo (aqui também será necessário ter este valor, o
que não é muito fácil de ser obtido).
Os outros valores de surtos de
correntes (S1*, S2, S3 e S4) são obtidos na Tabela E.2 da parte 1 para sistemas
de baixa tensão e Tabela E.3 para sistemas de sinais.
Uma vez
obtidos estes valores de surtos, podemos definir os valores de IIMP e
IN, dois parâmetros importantes para especificação dos DPS. Outros
parâmetros são igualmente importantes para esta especificação, por exemplo, IMAX,
UP, UN, UC , entre outros.
Devem ser utilizados também os
Anexos C e D da ABNT NBR 5419-4: 2015 que tratam, respectivamente, da “Seleção
e instalação de um sistema coordenado de DPS” e “Fatores a considerar na
seleção dos DPS”, além da ABNT NBR 5410 (atualmente em revisão),
principalmente, nos itens 5.4.2 – Proteção contra sobretensões transitórias e
6.3.5 – Dispositivos de proteção contra surtos (DPS).
É
importante ressaltar que muitos fabricantes de DPS classificam estes
dispositivos em Tipo I, II e III para sistemas de energia. Na ABNT NBR
5419-4:2015, existe uma classificação em “DPS ensaiado com IIMP”,
que seria aquele que nos ensaios suportam as correntes impulsivas parciais das
descargas com forma de onda (FO) 10/350 µs. Para linhas de energia, a corrente
de ensaio IIMP é definida para ensaio classe 1.
Os DPS
ensaiados com IN são aqueles que suportam correntes induzidas
de surto com forma de onda 8/20 µs. Para linhas de energia, a corrente de
ensaio IN é definida para ensaio classe 2.
Os DPSs
ensaiados com uma onda combinada são aqueles que suportam correntes induzidas
de surto com forma de onda 8/20 µs e no ensaio exige-se uma corrente impulsiva
correspondente a ISC. Para linhas de energia, a combinação de ondas
é definida para ensaio classe 3, em que a tensão de circuito aberto UOC com
forma de onda 1,2/50 µs e a corrente de curto-circuito ISC com
F.O 8/20 µs de um gerador de ondas são combinadas com relação-limite entre
estes parâmetros de 2 Ω. Estes DPSs são aqueles que ficam geralmente na entrada
dos equipamentos.
Dessa forma, não se deve
confundir o DPS, que foi resultado da análise de risco, como medida de proteção
e calculados conforme Nível de Proteção I, II ou III-IV com estes DPS tipo 1, 2
ou 3.
Ainda
referente ao DPS da análise de risco, os parâmetros que este dispositivo
influencia os riscos são o PSPD e o PEB, das Tabelas
B.3 e B.7 da parte 2 da ABNT NBR 5419. Estes parâmetros aparecem nas
componentes de risco RC, RM, RU, RV e
RZ. Desta forma, para o cálculo de R1 (Risco de perda de vida
humana) e para R2 (Risco de perda de serviço ao público), os parâmetros não
influenciam apenas RA, RB e RW para
R1 e RB e RW para R2.
Assim, após calcular os surtos
conforme o Anexo E da parte 1, os valores encontrados das correntes podem ser
menores do que os usualmente utilizados pelos fabricantes. Se isto acontecer,
entramos no caso referente às notas das Tabelas citadas (B.3 e B.7 da parte 2).
Neste
caso, os DPSs a serem instalados possuem características melhores de proteção
comparados, por exemplo, aos calculados para NP I. As notas das Tabelas não
indicam valores fixos, mas sim uma faixa (0,005 a 0,001). Se analisarmos os
exemplos da parte 2 da norma, o caso do hospital, podemos verificar que, se
instalarmos um DPS 1,5 vez melhor que o DPS calculado para NP I, os parâmetros
PSPD e o PEB têm os seus valores passando de
0,01 para 0,005, ou seja, metade do valor, e se o DPS for três vezes melhor, os
valores caem para 0,001, ou seja, dez vezes menor.
Isto
significa que, se o meu cálculo chegar a um DPS de 10 kA e eu instalar um DPS
de 15 kA, devo dividir as componentes de risco RC, RM, RU,
RV e RZ por 2 e, se instalar um DPS de 30 kA,
devo dividir estas componentes por 10.
Muitos programas ou planilhas de
análise de risco (inclusive a Tupan 2016, desenvolvida pela USP) não consideram
esta redução, pois são muitos casos específicos e também por existirem dezenas
ou centenas de fabricantes de DPS com uma variação muito grande de produtos. A
forma de se fazer este ajuste é acessar as componentes de risco indicadas acima
e adaptá-las para o tipo de DPS especificado para a estrutura.
*Hélio
Eiji Sueta é doutor em Engenharia Elétrica e secretário da CE-003.064-10.
Reviewed by Eletricista São Vicente
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06:33
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